Sombra

Neste canto isolado
De um lado ao outro lacerado,
Onde tudo habita só, e onde existes só,
Estás tu, só tu, encolhido, quieto,
De cabeça baixa nos joelhos.
Tu, nesse canto, triste, acossado,
Amedrontado e, à tua volta, tudo,
Tudo conspira,
Palavras que não consegues
Decifrar.
 

Levantas a cabeça e os teus olhos
Vagueiam pela sala escura e silenciosa.
Não encontras nada.
Pressentes pequenos movimentos
Nas janelas, como se alguém invisível
Estivesse aqui.
 

Dos cortinados gastos pelo tempo,
Desenho o teu corpo no eclipse do meu.
Nos meus olhos vês o vazio
Dos teus, e nos teus lábios
Sentes o sopro frio de um beijo.

E nesse instante,
Enquanto ficas acordado,
Desapareço,
Na insónia dos teus olhos…

 

 

 
Milkus wolf
12/05/09