Oh Lua, minha Lua, estás aí! …
Que coisas segredas tu de mim?
Fecho os olhos sentindo,
O teu ímpio destino.
Ergo as minhas mãos,
Para te tocar e acariciar,
E mergulhá-las no brilho da tua luz….
Sentado nesta pedra tumular,
Onde reina um silêncio sepulcral,
Neste crepúsculo onde nos encontramos,
Deixo-me ficar num tumultuoso jardim de horas mortas.
Sopras um vento frio que me atormenta.
Na névoa em que submerges este espaço,
Onde raias a luz que transparece ilusão
No calvário por onde caminhas,
Sinto-te perdida.
Levanto a cabeça e olho para ti.
Nos teus olhos cintilam lágrimas,
Lágrimas de sentimentos que o tempo apagou.
Tinges o céu desta noite
Com os seus funestos encantos.
Reflectes no teu brilho a pura inocência
De um coração que sofre por não amar,
E onde buscas naqueles que iluminas
Réstias de felicidade que não encontras ….
Na tua incolor passagem,
Pelas brumas do teu destino
Deixas-me prostrado a olhar para ti.
Partilho contigo as lágrimas da nossa existência.
Neste vácuo mundo onde nos encontramos,
Sem nada fingir fazer,
Por não poder odiar-te!…..
Milkus Wolf
26/11/08